Análise de artigo: Ultrassonografia no atendimento pré-hospitalar 3/4

Uso do ultrassom no ambiente pré-hospitalar para o trauma: uma revisão sistemática

Ultrasound Use in the Prehospital Setting for Trauma: A Systematic Review

Mercer CB, Ball M, Cash RE, Rivard MK, Chrzan K, Panchal AR. Ultrasound Use in the Prehospital Setting for Trauma: A Systematic Review. Prehosp Emerg Care. 2021 Jul-Aug;25(4):566-582. doi: 10.1080/10903127.2020.1811815. Epub 2020 Sep 17. PMID: 32815755.

Link para o artigo original: DOI: 10.1080/10903127.2020.1811815

Análise do artigo

O atendimento pré-hospitalar acontece em um ambiente instável e caótico, representando um desafio para o socorrista, que pode ser um paramédico, enfermeiro ou médico, dependendo do país.

No avanço das inovações tecnológicas, a ultrassonografia no atendimento pré-hospitalar (UAPH) é uma das mais promissoras a ser utilizada na triagem e no tratamento do paciente com trauma.

O trauma é principal causa de acionamento do sistema de emergência nos Estados Unidos e de mortalidade antes dos 45 anos.

A utilização da ultrassonografia point of care (POCUS) revolucionou o atendimento ao trauma na sala de emergência e vem se tornando um cuidado padrão desde 2008.

O avanço da tecnologia propiciou a portabilidade dos aparelhos de ultrassonografia, diminuição dos seus preços e melhoria da qualidade da imagem.

Apesar disso, a utilização da UAPH permanece em dúvidas sobre os seus benefícios e como ela pode alterar a gestão do trauma. Contudo, alguns estudos demonstraram ser possível a sua realização e com algum benefício.

O real impacto da UAPH no diagnóstico, tratamento e transporte do paciente com o trauma ainda permanece indefinido.

O objetivo desse artigo é avaliar a utilização da UAPH para pacientes com trauma e a sua utilização pelos diversos profissionais.

Desfechos específicos de interesse: será que a UAPH poderá melhorar as habilidades do socorrista em reconhecer condições que devem ser diagnosticadas e tratadas, selecionar o melhor hospital de destino e melhorar a mortalidade?

Protocolo de análise: Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analysis (PRISMA). A meta-análise não foi possível devido à grande heterogeneidade das amostras.

Critérios de procura: MEDLINE/PubMed, EBSCOhost, Cochrane Library e Embase medical literature. Uma pergunta PICO (P: Patient, I: Intervention, C: Comparison, O: Outcome) foi feita da seguinte forma:(P) Prehospital trauma patients, (I) where ultrasound was used, (C) compared to standard care without ultrasound, (O) improved diagnosis or impression, treatment, transport. Houve a procura por ultrassom no pré-hospitalar para auxiliar no diagnóstico, tratamento e transporte do paciente com trauma e realizados pelos vários profissionais atuantes, médico, enfermeiro e paramédico.

Tipos de artigo: trabalhos observacionais, prospectivos e retrospectivos. Língua inglesa e em revistas com revisão de pares (peer-reviewed).

Período: desde o começo até 8/10/2019.

Número de artigos selecionados: 825.

Número de artigos elegíveis: 33.

Número de artigos selecionados para síntese qualitativa: 16,

Número de artigos selecionados para síntese quantitativa (meta-análise): nenhum.

Países dos artigos selecionados: Estados unidos (5), França (1), Alemanha (4), Holanda (2), Canadá (2), Noruega (1), França (1). UAPH realizado por médicos, 15; por paramédicos, 1.

Número total de pacientes analisados que foram submetidos ao UAPH: 3318

Limitações dessa publicação: pacientes com traumas muito variados, heterogeneidade impediu a meta-análise, baixa qualidade das evidências, ausência de protocolos consistentes, ausência de padronização na análise dos desfechos, efeito na mortalidade e morbidade dos pacientes não pode ser analisado e exclusão de trabalhos de língua não inglesa.

Conclusões:

1. Os trabalhos demonstraram um possível benefício UAPH na decisão do local de transporte do paciente e na detecção de líquido livre.

2. As vantagens do UAPH não devem focar apenas no diagnóstico e no gerenciamento, uma vez que, tempo adicional na cena tem efeitos deletérios para o paciente.

3. Trabalhos de melhor qualidade são necessários para comprovar a utilidade do UAPH principalmente com análise de desfechos clínicos de morbimortalidade.

4. Tempo de cena é crítico no atendimento pré-hospitalar. Novas ferramentas que podem atrasar o cuidado definitivo do trauma devem ser analisadas com rigor antes da implementação.

5. O UAPH, atualmente, não é reconhecido como um cuidado padrão de atendimento.

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Bruno Belezia
Cirurgião Geral, CRMMG 24451

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