Como diminuir a exposição do paciente à Radiação Ionizante [estratégia POCUS]

A exposição da população americana à radiação ionizante de várias fontes vem aumentando gradativamente. Nos anos 1980´s era de 3,6 mSv / ano. Em 2006 aumentou para 6.25 mSv.1

Em 1980’s, os métodos de imagem da medicina correspondiam a 15% da exposição à radiação ionizante entre as várias fontes possíveis. Em 2006, a imagem da medicina correspondia a 48%, sendo que a tomografia computadorizada (TC) era a principal fonte de radiação ionizante médica.2

Anualmente é estimado que cerca de 20 milhões de TC´s em adultos e mais de 1 milhão em crianças sejam solicitadas sem que haja uma justificativa clínica. Esse excesso de exames sem indicação ocasiona exposição desnecessária dos pacientes à radiação ionizante.3

Um dos principais problemas é que boa parte dos médicos coloca a TC no mesmo patamar de outros estudos radiológicos, apesar das doses de radiação ionizante serem muito mais altas com ela.3

O problema piora quando a TC é solicitada como prática de medicina defensiva ou é repetida várias vezes no mesmo paciente.3

Recomenda-se, sempre que possível, substituir a TC por outros métodos de imagem, sendo que a ultrassonografia é uma das melhores alternativas.3

O colégio americano de cirurgiões recomenda que não se utilize a TC de corpo inteiro em pacientes vítimas de trauma menor ou que atingiu um único sistema ou órgão. Nessas situações, os vários métodos de imagem podem ser combinados e direcionados para determinados locais anatômicos.4

A associação americana de gastroenterologia não recomenda repetir TC para dor abdominal funcional a não ser que haja mudança do quadro clínico.

O número de TCs (e a radiação ionizante emitida por ela) a que um paciente é exposto com a possibilidade de lhe causar câncer é variável e dependente do tipo de exame, idade e sexo da pessoa.6

A tabela 1 mostra a radiodose emitida por alguns tipos de exame e TC, bem como o número equivalente de radiografias de tórax.7

Tabela 1. Radiodose em TC e número correspondente de radiografias de tórax 7

ExameDose média em mSvNúmero correspondente de radiografias de tórax
Dose ambiental média anual2,4
Radiografia de tórax0,021
TC crânio2100x
TC pelve6300x
TC tórax 7350x
TC abdômen 8400x
TC de abdômen trifásica para fígado15750x
Angio TC de tórax15750x

Cabe sensibilizar a classe médica de que o POCUS, ao ser associado a protocolos clínicos e realizado durante a avaliação inicial do paciente, principalmente em situações de urgência e emergência, poderá ser uma das estratégias para diminuir a utilização da TC e a exposição dos pacientes à radiação ionizante.

Exemplo prático é a aplicação do POCUS no diagnóstico da insuficiência respiratória aguda e como auxíliar na interpretação de alterações pleuro-pulmonares agudas presentes na radiografia de tórax. Nessas duas situações, a ultrassonografia é uma boa alternativa à TC.8,9

Referências bibliográficas

1. National Council on Radiation Protection and Measurements, NCRP Report No. 160, March 2009, pp. 242-243.

2 National Council on Radiation Protection and Measurements, NCRP Report No. 160, March 2009, pp. 242-243.

3. Brenner DJ, Hall EJ. Computed tomography–an increasing source of radiation exposure. N Engl J Med. 2007 Nov 29;357(22):2277-84. doi: 10.1056/NEJMra072149. PMID: 18046031.

4.Choose wisely.American College of Surgeons.Five Things Physicians and Patients Should Question.Released September 4, 2013; Last reviewed 2021

5. American Gastroenterological Association.Five Things Physicians and Patients Should Question.Released April 4, 2012; Last reviewed 2016

6. Smith-Bindman R, Lipson J, Marcus R, Kim KP, Mahesh M, Gould R, Berrington de González A, Miglioretti DL. Radiation dose associated with common computed tomography examinations and the associated lifetime attributable risk of cancer. Arch Intern Med. 2009 Dec 14;169(22):2078-86. doi: 10.1001/archinternmed.2009.427. PMID: 20008690; PMCID: PMC4635397.

7. Mettler FA Jr, Guiberteau MJ. Occupational Exposure in General Radiology and Nuclear Medicine: A Changing Target. Radiology. 2021 Sep;300(3):613-614. doi: 10.1148/radiol.2021211104. Epub 2021 Jun 22. PMID: 34156304.

8. Lichtenstein DA, Mezière GA. Relevance of lung ultrasound in the diagnosis of acute respiratory failure: the BLUE protocol. Chest. 2008 Jul;134(1):117-25. doi: 10.1378/chest.07-2800. Epub 2008 Apr 10. Erratum in: Chest. 2013 Aug;144(2):721. PMID: 18403664; PMCID: PMC3734893.

9.Lichtenstein D. Lung ultrasound in the critically ill. Curr Opin Crit Care. 2014 Jun;20(3):315-22. doi: 10.1097/MCC.0000000000000096. PMID: 24758984.

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Bruno Belezia
Cirurgião Geral, CRMMG 24451

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